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Marcelo Negrão

Carisma e simplicidade é uma das palavras que podem definir o homem Marcelo Negrão. Habilidade e competência são palavras que podem definir o atleta Marcelo Negrão. Aos 19 anos recebeu uma medalha olímpica de ouro, até então inédita para a seleção brasileira de vôlei. Uma carreira que começou quase por acaso, quando ele foi substituir alguém que havia faltado num jogo em Recife, onde morava. O pai, outro apaixonado pelo esporte, foi quem levou o menino Marcelo para as quadras. Atualmente, com 36 anos, ele brilha nas areias, trazendo a técnica adquirida em toda a carreira para o vôlei de praia. Marcelo Negrão esteve recentemente em Taubaté, ministrando uma oficina do esporte para a comunidade no Sesc de Taubaté e falou com exclusividade à Revista Viva Bem. Confira!

Viva Bem: Como foi o início da sua carreira?
Marcelo Negrão: Comecei aos dez anos na cidade de Recife. Meu pai é engenheiro mecânico e foi transferido de São Paulo pra lá. Ele gostava muito de esporte e começou a praticar o vôlei. Nessa de acompanhar meu pai, chegou um dia que estávamos na quadra, faltou alguém e me chamaram para completar o time. Sempre fui muito alto, tinha 1,80m nessa idade, então eu chamava muita atenção. Depois disso me chamaram para fazer um teste. Integrei a seleção Pernambucana infanto-juvenil.

VB: Como foi a passagem para o vôlei profissional?
Marcelo Negrão: Fui jogar num torneio em São Paulo e o técnico do Banespa (até hoje, um dos melhores) me viu jogando e fez um convite para ir a São Paulo. Como já era de lá, aceitei o desafio. Passei em todos os testes que fiz e entrei numa casa com outros atletas. Foi ali que começou minha carreira profissionalmente. De todos os colegas da casa, somente dois saíram para a seleção brasileira: eu e o Giovani. Na época eu tinha, 13 para 14 anos. Com 17 anos eu já estava na seleção brasileira adulta profissional, com 19 eu já era campeão olímpico.

VB: Como foi receber a medalha olímpica de ouro aos 19 anos?
Marcelo Negrão: Era muito novo e estava querendo jogar e esperando para o próximo campeonato, não tinha a noção do que era ganhar uma medalha olimpíada. Fico contente por ter feito parte dessa história, do início das vitórias da seleção do voleibol, que hoje é muito diferente do que era na minha época. Antes o atleta jogava preocupado com o que podia acontecer depois, porque ser jogador de vôlei não era uma profissão reconhecida, mas depois do ouro o atleta passou a viver do esporte.

VB: Como é sua carreira hoje?
Marcelo Negrão: Agora no vôlei de praia é mais tranquilo, fico mais tempo com a família em casa do que viajando. Para mim, tudo aconteceu no seu tempo certo: tenho dois filhos pequenos, um de dois e um de quatro anos de idade. Estou quase encerrando minha carreira. Atualmente as viagens que faço são muito curtas, duram no máximo dois dias, diferente do que era antes, que o atleta ficava de dois a três meses fora de casa.

VB: Como foi a mudança das quadras para a praia?
Marcelo Negrão: Foi muito tranquila. Eu já estava com 33 anos, havia ganhado tudo o que podia no vôlei, já tinha conhecido o mundo, feito tudo o que eu queria fazer. Foi bem tranquilo, sem nenhuma mágoa de não ter realizado nada em quadra, graças a Deus eu fiz de tudo.

VB: Você passou por uma contusão séria em 2001. Como foi essa recuperação?

Marcelo Negrão: Toda torção para um atleta é muito complicada, para mim não foi diferente. Passei quase dois anos me recuperando, foi uma lesão no joelho. Depois disso tive que correr atrás, praticamente começar de novo, do zero. Mas fiz tudo com muita determinação, ajuda da família, muita fé. Me recuperei, consegui superar esse problema. Voltei a jogar e hoje, no vôlei de praia, tenho que ter o físico perfeito, nenhuma unha encravada, se não você não consegue jogar na praia. É muito desgastante, exige muito do atleta, mas graças a Deus, estou no meu terceiro ano muito bem preparado.

VB: Como você faz para manter a forma e a qualidade de vida?
Marcelo Negrão: Eu corro uma hora e meia todo dia, uma hora de musculação e uma hora de bola, para manter o preparo físico. Procuro evitar besteira, não comer de tudo. Treino bastante pra estar em forma.

VB: Como tem sido realizar esse trabalho com a comunidade?
Marcelo Negrão: É bom ver que as pessoas descobriram o vôlei. Mesmo que seja para brincar. Tenho visto muita gente talentosa por aí. Acho que o vôlei é o primeiro esporte do Brasil, o futebol não se discute, é religião (risos). Acredito que
o Brasil está sendo muito bem representado, tanto na areia, quanto na quadra.

VB: Quais são as expectativas futuras para sua carreira?
Marcelo Negrão: Se houver um time que me dê a possibilidade de voltar bem às quadras, eu volto! Já conversei com o time do São Paulo, eles querem montar uma equipe de vôlei lá, tem uma estrutura boa, conheço bem, mas ainda estão correndo atrás de patrocinador. Continuo estudando as propostas.

 
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